colóquio internacional
entradalivre Universidade Aberta
Palácio Ceia
Salão Nobre
APRESENTAÇÃO
Perseguindo o sonho de uma comunicação global potenciada pelo paradigma tecnológico, o imaginário contemporâneo surge dominado pela ânsia da mobilidade; uma mobilidade que seduz e abraça praticamente todos os domínios da actividade humana, tornando-se por vezes tão intensa que chega a engendrar essa vertiginosa utopia do imediato que não somente perturba as categorias espácio-temporais pelas quais nos orientamos e definimos como sujeitos, como põe em causa o estatuto da mediação como estrutura fundadora e fundamental no acesso ao Outro e ao conhecimento.


Mas qual o sentido e o impacto deste conceito quando reinscrito na longa duração? Com efeito, não obstante o papel crucial desempenhado pela noção de proprietas (seja ela linguística ou económica) e pelo pensamento genealógico na(s) mentalidade(s) medieval(ais), definir-se-á a Idade Média apenas como uma civilização cristalizada na(s) sua(s) hierarquia(s) e inteiramente percorrida por um imaginário da fixidez, da permanência e da repetição do Mesmo? Ou será que a sua modernidade reside antes de mais, pelo contrário, no  perpétuo nomadismo dos homens, dos objectos, dos saberes e das formas que abala e renova constantemente a harmonia do mundo e do universo? Será por mero acaso se os termos que habitualmente descrevem a dinâmica que preside à escrita e à construção do sentido (translatio, mouvance, etc.) transportam essa noção de mobilidade para o seio da própria criação poética e de uma textura narrativa também ela constantemente percorrida por imagens (temas, motivos, figuras) ligadas à migração, à transferência e à deslocação? Neste sentido, qual a função dessa «incessante mutabilidade dos seres e das coisas» que Paul Zumthor evocava em La Mesure du monde na imago mundi medieval projectada e reconfigurada pelo discurso ficcional?


Sem pretender esgotar a vasta e complexa problemática inerente à mobilidade da/na literatura medieval, este encontro espera contudo poder contribuir para uma melhor compreensão da sua dinâmica ideológica, simbólica e textual no seio de uma civilização ela própria em constante movimento. O colóquio decorrerá durante três dias, cada um dedicado a um eixo específico de reflexão:

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