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Teoria da Comunicação

Teoria de Sistemas

Os desenvolvimentos mais recentes em teoria da comunicação remetem para a teoria de sistemas e para a cibernética.

A teoria geral de sistemas foi desenvolvida a partir dos anos 40 pelo biólogo L. von Bertalanffy , ao procurar um modelo científico explicativo do comportamento de um organismo vivo. Um sistema define-se como um todo organizado formado por elementos interdependentes, que está rodeado por um meio exterior (environment); se o sistema interage com o meio exterior é designado por sistema aberto; as relações do sistema com o meio exterior processam-se através de trocas de energia e/ou informação e designam-se por input ou output; os canais que veiculam o input/output de informação ou energia designam-se por canais de comunicação; observe-se a figura representativa de um sistema aberto em interacção com o meio:


Uma máquina, uma bactéria, um ser humano, as comunidades humanas são exemplos de sistemas abertos, que se caracterizam na sua generalidade pelo seguinte:

1) O todo é superior à soma das suas partes e tem características próprias.

2) As partes integrantes dum sistema são interdependentes.

3) Sistemas e subsistemas relacionam-se e estão integrados numa cadeia hierárquica (nesta perspectiva pode encarar-se o universo como uma vasta cadeia de sistemas).

4) Os sistemas exercem autoregulação e controlo, visando a manutenção do seu equilíbrio.

5) Os sistemas influenciam o meio exterior e vice-versa (através do input/output de energia e informação).

6) A autoregulação dos sistemas implica a capacidade de mudar, como forma de adaptação a alterações do meio exterior.

7) Os sistemas têm a capacidade de alcançar os seus objectivos através de vários modos diferentes.

 

A cibernética (ou teoria do controle) foi desenvolvida pelo matemático N. Wiener , tendo por objecto o estudo da autoregulação dos sistemas. De acordo com Wiener, os dispositivos automáticos e as criaturas vivas apresentam fortes semelhanças na sua estrutura e funcionamento, enquanto sistemas abertos: o príncipio fundamental é o da manutenção da ordem no interior dos sistemas (ou entre 2 sistemas); pela 2ª lei da termodinâmica, o caos sobrevirá sempre sobre a ordem no interior dos sistemas, (o reverso nunca ocorrerá espontaneamente); daqui advém a necessidade dos sistemas se autoregularem no sentido de manter a ordem e combater o caos; este processo designa-se por regulação e implica a recepção e o processamento de informação do output sobre o estado do sistema (feedback) e posteriormente a entrada dessa informação no sistema para que este corrija os erros (retroacção); observe-se a figura representativa de um sistema com mecanismos de regulação e retroacção:

Legenda: O input (I) entra no sistema (S); O output sai do sistema; informação sobre O feedback é recolhida e processada e volta a entrar no sistema (regulação e retroacção); M mede a tolerância para uma margem de desvio;

De acordo com a teoria cibernética, os príncipios da regulação e retroacção são aplicáveis universalmente: os sistemas inorgânicos regulam-se através de operações de massa ou energia (exemplos: um planeta, uma ponte, uma pedra); os sistemas orgânicos regulam-se através de operações de informação e/ou energia (exemplos: os seres humanos (em que a dor, o frio, etc resultam em retroacção, neste caso tomar um analgésico ou vestir um casaco), os grupos, as instituições e sociedades (mantêm o bom funcionamento e a coesão interna através do feeback de informação e operações de regulação).

A relação entre a cibernética e a teoria de sistemas resulta evidente: ambas estudam os sistemas, mas a cibernética tem um âmbito mais restrito porque se especializa na autoregulação dos sistemas. A teoria de sistemas e a cibernética têm sido aplicadas com êxito a inúmeras áreas de conhecimento, nomeadamente as ciências sociais e a teoria da comunicação ( emissor e receptor podem ser considerados como 2 sistemas funcionando mutuamente como meio exterior, ou como 2 subsistemas integrados num sistema mais vasto).

Bibliografia

Glossário



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